O PP - entendamo-nos, o pimbalhismo politico - instalou-se de armas e bagagens em Portugal. Deve-se a Paulo Portas a implantacao original deste tipo de politica na sociedade Portuguesa mas nem este teve a coragem de a levar ao extremo - diria mesmo artistico - que o actual PPD/PSD (para usar os termos do lider da bancada actual) pontifica.
A pratica do pimbalhismo politico nao requer inteligencia nem aptidoes politicas. Na realidade, os alicerces para este tipo de politica ja’ qualquer fantoche partidario presente nas associacoes de estudantes das Universidades possui. A partir dai’, e’ apenas limar umas arestas e ter nocao de alguns limites da sua pratica. Ora, se a pratica deste tipo de politica ja’ era mau, a falta de nocao de limites que vejo actualmente e’ o inicio do descredito total do que a politica popular deve ser: o exercicio do direito ‘a opiniao assente em argumentos passiveis de discussao da parte dos interlocutores.
O estado da situacao deve-se em grande parte ao culto do facilitismo e mediocridade. Lembremo-nos que em Portugal entre as criacas o cool e’ fazer o minimo para passar de anos e ter um grande numero de negativas na escola. Isto e’ - para todos os efeitos - tipicamente sintomatico em franjas de sociedade pouco instruidas e cultas. Por exemplo, entre algumas comunidades hispanicas e afro-americanas pouco instruidas em paises cultural e geograficamente grandes como os estados unidos. A historia de pessoas que estao nos extremos desta distribuicao passa na esmagadora maioria dos casos por um processo de ir viver para fora dessas comunidades e construir uma vida assente em principios radicamente diferentes junto de ambientes onde nao se cultiva o facilitismo e mediocridade. Infelizmente, para o bom e para o mau, Portugal e’ - evidentemente - demasiado pequeno para se fugir. A cultura que se fomenta desde ha’ muitos anos entre jovens - que sao hoje em dia adultos e detem posicoes que envolvem tomadas de decisoes - e’ mesmo o culto da mediocridade. O cool e’ passar ate’ ‘a faculdade com negativas porque, na realidade, consegue-se entrar numa faculdade em Portugal com medias negativas(!). O cool e’ estar 10 anos numa faculdade cujo curso deveria demorar 5, ou 3+2 no quadro actual vigente. Menos cool e’ depois encontrar-se depois aos 25 anos a trabalhar num guichet a fazer um trabalho de merda que se odeia. Mas depois contraria-se isto de forma ultra cool criticando o governo por nao proporcionar bons trabalhos e por ganharem pouco porque a economia esta’ ma’. Ate’ seria porreiro o jovem fazer algo para alterar a sua situacao actual mas o problema e’ que nao ha’ normalmente instrucao formal - e porque nao dize-lo mesmo: intelectual - para o fazer. Pior que isso e’ que nao ha’ uma estrutura mental e motivacional para o fazer. Isso desenvolve-se com tempo e quando se e’ jovem. E isso… tinha dado muito trabalho e nao era cool. Bom, entao, “porreiro pa’”, vamos esquecer isto e debater as mamas/ultimas da Soraia Chaves/Castelo Branco ou como o Benfica nao ganhou o ultimo jogo…
Nao e’ por isso de espantar que a nossa politica seja o que e’. O aproveitamente populista de situacoes como o fecho das urgencias e o bebe’ de Anadia sao os maiores exemplos jamais presenciado por mim. Nao ha’ efectivamente para o politico actual uma nocao de limites, etica e bom senso. Em paises grandes ou regionalizados - outro passo errado… - a pratica deste tipo de politica afunda zonas ou regioes do pais. Em Portugal, e’ o pais e’ que se afunda num marasmo.
Se o actual ministro da saude esta’ a ser assassinado publicamente de forma desonesta e vergonhosa nao e’ tambem exclusivamente devido ao neo-pimbalhismo-politico que se vive e aprova. E’ tambem pela situacao actual dos media portugueses. Nao existem muitas referencias de excelencia entre os actuais jornalistas actuais e estes nao estao normalmente a fazer os telejornais: o maior opinion-maker popular. Chorei por dentro quando em Agosto vi na televisao um - so-called - jornalista entrevistar o ministro da saude de forma tendenciosa e populista. Nao gostei do tom pouco correcto e deselegante com que o jornalista abordou o ministro e as situacoes delicadas que estavam a ser alvo de discussao. Apreciei no entanto a forma superior como o ministro lidou com a situacao, rebatendo os pontos qual chapada de luva de branca. Eu teria chamado mentecapto ao jornalista confesso.
O que e’ preciso discutir nao e’ o bebe’ de Anadia e este governo. E’ como inverter mentalidades e instaurar valores de responsabilidade, meritocracia, ambicao pessoal e global. E’ que a seguir a este governo vai estar outro que vai estar inserida na mesma sociedade e segundo esta ultima, nao ha’ governo que valha.
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