Oct
01
2008

Bruno Afonso
Sempre que o coracao palpita re-avalia-mo-nos. Nao muito diferentemente do teste de fogo mental a que nos submetemos quando nos magoamos. A dor fortalece-nos e despe-nos do acessorio que demoramos uma vida inteira a perder para nos encontrarmos. Cristaliza.
Um amigo meu confessou-me ter medo de perder a capacidade de se apaixonar. Eu tenho medo de perder a ingenuidade que alimenta o sonho.
Tags: Duvidas existenciais
Apr
22
2008

Bruno Afonso
A semana passada falava de poesia com um americano. Perguntou-me se escrevia em Portugues ou Ingles. Disse-lhe que normalmente em Portugues porque me permitia brincar com as palavras, de alguma forma, brincar com a lingua.
Confessei-lhe passados 23 segundos que ‘as vezes pensava em poemas em ingles. Que era ainda uma novidade para mim: tinham um sabor e existir diferente. Surgem de conceitos e nao de apenas jogos de ideias. E isso fez-me pensar em mais do que poemas. Muito mais. Foi a conversa mais interessante que eu tive durante toda a semana e durou apenas 3 minutos. Demorei meia semana a comecar a perceber o que posso aprender com ela.
Se aprender 15 linguas talvez possa viver de poemas.
Tags: Duvidas existenciais, poemas, poesia
Mar
18
2008

Bruno Afonso
Mar
04
2008

Bruno Afonso
Hi there! I am a 38-years-old Argentinean living abroad. I moved many times, to several countries. I read your post and struck a chord (nota: nao e’ do meu blog!). I am still looking for my place in the world, still thinking what I want to be “when I grow up” lol, because I feel I still have a lot of learning and growing to do. [...]
Ja’ me sinto melhor uma vez que alguem 10 anos mais velho que eu se sente na mesma 
Tags: Diário de Bordo, Duvidas existenciais
May
14
2007

Bruno Afonso
Fiji
Encontrei este texto aqui que acho interessante para todos, ainda alunos ou nao:
On some days, I don’t have the momentum to study, on these days it’s very hard for me to put myself behind my books & start learning. & when I am behind my books, I learn very inefficient & slow. Does sb has any idea’s / tips to become more productive when you really don’t feel like? Tomorrow I’m going to try to wakup early & run a bit before study’ing to try if that works
To gain the mental energy to overcome a lack of momentum, the best thing I find is exercise. This makes the body pleasantly tired, but the mind clear and fresh. But the exercise has to be vigorous; a half-hearted effort doesn’t get enough freshly oxygenated blood to the brain.
Also, when I was doing my PhD thesis, I found that lethargy came in part from a feeling that every day was the same and no real progress was being made. Then I started keeping a diary, just a paragraph or so at the end of each day recording what I had done - read that article by Smith, wrote a good paragraph on X, met with advisor and discussed the way forward on Y, had a good idea about Z. This helped me realise that I was actually making some progress and reminded me of how interesting many of these small tasks were.
E’ muito dificil por vezes vencer a letargia. Especialmente quando estamos a lidar com projectos a longo prazo. A auto-motivacao e’, para mim, um dos elementos mais criticos no mundo academico. Ha’ pessoas que nunca se imaginaram a fazer mais nada da vida. Obcecadas diriam uns, sortudos digo eu. E’ complicado ser multi-facetado e questionar ocasionalmente o que estamos a fazer com a vida e ver uma meta para o projecto em que embarcamos ainda tao longe.
A minha resposta tem-se desdobrado em duas frentes, nenhuma delas eficaz por si propria. Penso que terei que combina-las para resultar melhor, mas terei que esperar para ter mais alguma maturidade e estabilidade emocional. A primeira resposta prende-se com ver/imaginar/sonhar o que esta’ para la’ do dia a dia e da situacao presente. Simplesmente, por a coisa em perspectiva (big picture!) e tentar ignorar um pouco as dificuldades diarias. A segunda prende-se com uma maior concentracao no dia a dia focado no que tenho que fazer de uma forma muito planeada e estruturada. Uma especie de automato que tem que acabar algo e tenta nao pensar muito para nao pensar demais. Eu sou perito em pensar demais. O balanco entre as duas e’ obviamente a terceira resposta. E eu tento diariamente…
Tags: Diário de Bordo, Duvidas existenciais, Notas-soltas
Apr
20
2007

Bruno Afonso
Dizem-me que as exs ou encontros falhados/desalinhados voltam arrependidas apos uns tempos. As minhas nao. Nunca voltaram.
Tags: Bujardas, Bujardas das fortes, Duvidas existenciais
Apr
18
2007

Bruno Afonso
Este e’ um titulo de um filme que vi ha’ uns meses. Passa-se a 15min a pe’ de onde eu moro, no campus principal de Harvard. Ao ler hoje o NYT times e’-me impossivel nao colocar aqui o final deste artigo:
He also took a prescription medicine. Neither Mr. Aust nor Mr. Grewal knew what the medicine was for, but officials said prescription medications related to the treatment of psychological problems had been found among Mr. Cho’s effects.
Toda esta situacao remete-me para um livro que li ha’ uns tempos (melhor que o filme, diga-se de passagem). As sociedades actuais, mesmo as que sao vistas como das mais evoluidas tecnologicamente, nao sabem - claramente - lidar com pessoas com desiquilibrios emocionais. O nosso conhecimento do cerebro humano (ou qualquer outro…) e’ limitado ao ponto de nao conseguirmos impedir pessoas de actos incriveis como a chacina de 33 pessoas (incluindo o assassino) numa universidade americana. Nao estamos a falar de psicopatas com um longo historial ou com problemas mentais evidentes. Estamos a falar de pessoas com suficiente equilibrio emocional para passarem um periodo de adolescencia e entrarem numa universidade.
Por intermedio de um amigo meu vim a saber que existe uma franja dos alunos de Harvard que esta’ sob medicacao. Tambem num artigo de 2002 no Harvard Crimson, pode-se ler:
He said around 1,000 of Harvard’s 17,000 students take one of the top-three prescribed anti-depressants.
Estamos a falar de quase 6% da populacao estudantil, em 2002. Curiosamente, ha’ pessoas que consideram este valor baixo (7% em 2006, em resposta a isto). Nao sei valores das universidades de topo Portuguesas ou Europeias mas estou curioso. Mas mais curioso estou ainda de saber se conseguiremos ter melhores “drogas” para estes desiquilibrios ou simplesmente mudar a visao de sociedade que induz muitos destes efeitos nos mais novos, nos quais me incluo.
Tags: americanices, Duvidas existenciais
Mar
29
2007

Bruno Afonso
Tudo o que aqui e’ escrito por mim e’ fruto da mente de um peixes de linha dura. Compreendam por isso que tudo esta’ pejado de ideais belos e cheio de anjinhos: Um verdadeiro peixes vive de sonhos e ilusoes - vive no sonho e a manha e’ o periodo mais doloroso do dia. A manha representa o parto dificil do leito dos sonhos, onde nos refugiamos no nosso mundo de sonhos e ideais durante a noite. E por isso e’ tao delicioso estar na cama quando se acorda.. e se dormita um pouco e acorda, e dormita… surfa-se a onda no limite do sonho, apos a qual comeca a realidade. Eventualmente o mar fica flat (mas sempre glass)…
A noite simboliza o periodo onde tudo e’ difuso, confuso e propicio ao sonho. E’ por isso quando o sonho nos mina e subconscientemente comeca a tomar conta de nos com o inicio da noite. O que durante o dia foi cor viva ‘a noite passa a tons de cinzento - E’ com cinzentos que vemos almas. E’ com cinzentos que temos um infinito gradiente entre estados puros: preto e branco. Sublime e ausente. Forte e carinhoso.
E’ na noite que temos conversas que nao podemos ter durante o dia. E’ ‘a noite que encontramos almas gemeas. E’ na noite que os pequenos podem ser grandes sem ninguem saber.
Tags: Desabafos, Duvidas existenciais, manhãs, Notas-soltas, Poemas do Além
Mar
26
2007

Bruno Afonso
Tenho que escrever. Tenho que escrever, tenho que escrever, tenho que escrever. E mais, tenho que escrever. Mas nao consigo. Paro, viro-me, levanto-me, abro o mail, sorrio, fecho o mail, escrevo sobre aborto, abro o mail, fecho o mail. E nao escrevi. Nao escrevi o que tinha que escrever. Assim, a proposta de doutoramento nao aparece feita. E o prazo ja’ passou na pratica, ja’ passou. Oscilo entre estados de alma opostos.
(datado de 27 Jan 2007)
Decidi colocar isto aqui inacabado motivado por isto.
Tags: Bujardas das fortes, Diário de Bordo, Duvidas existenciais
Mar
16
2007

Bruno Afonso
Nunca reagi muito bem a elogios, especialmente - especialmente - desmedidos. Hoje percebi melhor porque. Por outro lado, sou normalmente visto como um gajo que tem mania porque nao elogia por tudo e por nada os outros. Nao que eu nao consiga elogiar ou perceber que o deva fazer. Simplesmente porque elogio apenas quando acho que faz sentido e porque gosto especialmente de o fazer em privado, num regime mais intimo e sincero, quando as pessoas menos esperam. Ha’ pessoas que gostam do estilo, outras que nao.
Uma coisa que sempre me chateou com o excesso de elogios e’ a coincidencia de normalmente originarem de pessoas que adoram as qualidades dos outros porque os veem os outros como superiores. Pouco me incomoda que existam pessoas fora de serie - na realidade o mundo precisa delas -, no entanto, estas pessoas sao fora de serie porque nao se conformaram: acreditaram em si e efectivaram o seu potencial. A sua atitude e’ fundamentalmente diferente da atitude que se ve em Portugal nos putos (e em grande parte de populacao para nosso mal) em relacao ‘a matematica por exemplo. Noutras culturas e’ normalmente aceite que fisica, matematica, musica, etc seja “normal e acessivel” a todos. Ja’ ouvi varios nomes para a cultura que se vive em portugal de forma horizontal na “escola”. Os putos vao para a escola com a ideia que a matematica e’ dificil e nao e’ para todos. Fisica e quimica e’ para os nerds. E por ai’ adiante. Pior que isso, em Portugal e’ cool ter-se mas notas, faltar ‘as aulas, etc.
No mundo cientifico, desculpamo-nos por tudo e por nada quando nao se chega onde se podia. A melhor definicao que ja’ ouvi e’ a existencia de um Culto da mediocridade. Quando primeiro ouvi a expressao, fiquei chocado e atonito. Pensei na altura e tenho ruminado sobre a coisa ao longo de anos. Percebo agora melhor que e’ algo presente horizontalmente na sociedade Portuguesa. Desde o papao da matematica dos putos ‘a politica, passando pela comunidade cientifica (que muitos querem acreditar ser onde estao pessoas mto brilhantes).
Carol Dweck toca neste artigo num ponto fundamental: a nossa evolucao como pessoas a um nivel mais pessoal ou profissional depende fundamental de nos proprios. Na realidade, nao tanto se calhar do nosso trabalho per se, quantificavel em ultima analise pelo numero de calorias gastas. Depende sim do estado de espirito com que estamos na vida e do que queremos e pretendemos desta.
E’ facil? Pessoalmente nao acho que seja. Mas por isso e’ que e’ importante lembrar-nos do que o Rocky nos disse. E’ preciso ter coragem para nos enfrentarmos a nos proprios e nos melhorarmos. Isso requer recriarmo-nos com auto-motivacao e pedacos de demencia temporaria frequentemente.
Tags: Bujardas, Bujardas das fortes, Desabafos, Diário de Bordo, Duvidas existenciais
Mar
15
2007

Bruno Afonso
A Ana Rita ha’ uns tempos meteu uma entrada sobre o sofrimento de ser um emigra. Sou um optimista por natureza embora exteriorize muitas vezes algo diferente: feitios. Em todo o caso, os emigras de hoje sao do mais privilegiados de sempre. A massificacao dos media e em especial da internet (tanto da parte do cliente como de quem presta servicos) eclipsou as barreiras de uma forma inimaginavel. Posso ver diariamente (em directo ou nao) o jornal do meu pais, ouvir durante o dia inteiro radio portuguesa, etc. Coisas fundamentais e fulcrais como estar com os amigos numa base regular apenas poderao ser transpostas com viagens instantaneas - talvez um dia.
Bujardo que sou um emigra mimado. Bujardo tambem que quem nao deixa de pensar no fado da patria nunca disfrutara’ na plenitude a vivencia noutro lado. E’ preciso libertar a mente da ambivalencia para obter liberdade que conduz ‘a felicidade.
Ninguem aqui esta’ a mandar a patria ‘a merda: Apenas se luta pela entrega sincera diferencial em busca da felicidade.
Tags: americanices, Bujardas, Bujardas das fortes, Desabafos, Diário de Bordo, Duvidas existenciais, Nostalgia
Feb
18
2007

Bruno Afonso
But you should always question how much you want it, and if so, why.

It’s truly a privilege to be alive. Enjoy it.
Tags: Desabafos, Duvidas existenciais, Success
Jan
31
2007

Bruno Afonso
Com alguma paz de espirito, sempre senti que muitas coisas que acabaram por acontecer na minha vida, aconteceram de forma quase inescapavel, com tranquilidade e que de alguma forma estavam investidas de uma quase imperceptivel raison d’etre. Isso mesmo falta agora na altura em que tenho que colocar por escrito o que planeio fazer no doutoramento, para ser posteriormente avaliado pelos colossos intelectuais aqui da zona.
Nunca acusei tanto esta falta de destino claro para onde vou. Nunca pensei tanto se nao me enganei no cruzamento e virei ‘a esquerda esbocando um riso ‘a direita, quica demais. A estrada e’ de cabras e embora se possa sempre sair dela, por outro lado nao me apetece pois a unica razao talvez seja mesmo a do teste pessoal. A necessidade de uma validacao pessoal, que estupidez brutal.
E’ quando falta a inclinacao de levar a bom porto pequenas tarefas e detalhes - que fazem toda a diferenca - que penso realmente nesta tematica que me vai consumindo a pouco e pouco, muito e muito. E nos pequenos momentos auto-destrutivos.
Bujardo que a ignorancia de uns e’ a maldicao de outros. Acredito que a certeza de muitos e’ a certeza da incerteza de outros: sabemos que nunca chegaremos a ela e o caminho errante e’ a inescapavel solucao de um problema que ‘a partida sabemos que nao podemos resolver.
Agora vou trabalhar que ninguem me paga para escrever futilidades.
Tags: Bujardas, Desabafos, Duvidas existenciais, manhãs
Jan
31
2007

Bruno Afonso
Ele: Mas nunca foste num date?
Eu: Nao.
Ele: Estas ca’ ha’ 1 ano e tal e nunca foste num date?
Eu: Nao.
Senti-me algo alien e apercebi-me que se calhar ja’ era altura de facto. Agora so’ falta ter personalidade para isso. E vontade.
Tags: Conversas Soltas, Duvidas existenciais
Jan
25
2007

Bruno Afonso

Acabei de ler isto. Existira’ algo remotamente similar em Portugal?
Yamin’s work is just one of many artist-initiated jazz education programs. Other notable torch-bearers include Hans Benjamin Schuman, drummer and artist director of JazzReach, a non-profit outreach program featuring interactive multimedia presentations. Schuman’s groups have toured all over the U. S., bringing high-quality performance standards and engaging programming to future jazzers. Hayes Greenfield runs a similar program called Jazz-A-Ma-Tazz, featuring fun for the whole family.
E’ inteiramente claro para mim que a educacao musical e’ basilar para a formacao pessoal e cultural de qualquer pessoa. Por exemplo, ainda hoje sinto falhas culturais ao nivel de musica classica e tento compensar isso comprando livros e ouvindo. Ok, ok, confesso que compro, leio e oico mais jazz…
Em todo o caso, acho que ja’ disse isto aos meus pais, mas se ha’ coisa que lhes agradeco e’ o facto de me terem colocado numa escola de musica quando era crianca. O meu pai ja’ me confessou que parte do que o levou a fazer isso foi ver pessoas que conseguiam tocar para outras nos pianos nos lobbies de hoteis em conferencias, etc. Infelizmente, nao toco suficientemente bem piano para isso (ainda!) mas quem sabe um dia… O mais importante foi no entanto a semente que foi posta a germinar, as bases musicais necessarias para poder explorar os meus gostos musicais e poder tentar tocar qualquer instrumento musical que queira ao longo da vida. Foram as bases que me permitiram aprender mais teoria musical para compreender melhor o jazz e outros estilos de musica. Este abecedario oferecido pelos meus pais representa para mim uma das maiores dadivas que eles ja’ me deram bem como uma demonstracao clara de amor incondicional.
Acho que Portugal ganhava muito com a introducao de formacao musical a serio obrigatoria no ensino basico e com incentivos ao nivel de formacao mais avancada. Isso passaria por ter professores com capacidades para gerir combos de musica rock, hip hop, jazz, etc. E’ subestimado em Portugal o poder da linguagem musical em conseguir sublimar as barreiras culturais e exclusoes sociais. Quando falamos musicalmente, somos todos iguais.
Nao exagero de alguma forma dizendo que a Música ja’ me salvou da demencia. Tocar 5 min por dia na minha guitarra electrica ou classica fazem-me melhor que provavelmente 30min de terapia psicologica (imagino pois nc fiz…). O melhor e’ que nunca acabo por tocar 5min. Muitas vezes os 5min transformam-se em horas e ainda ontem me deu a pancada para congeminar a letra para uma musica q ando a compor a meio da noite.
Que impacto tem a musica na vossa vida? (tentativa desesperada que comecem a meter comentarios! Sim, eu sei alguem le isto! ALGUEM TEM QUE LER ISTO!!)
Tags: Duvidas existenciais, Jazz, Muzak