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Mar 29 2006

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Bruno Afonso

O benfica e os anti-benfiquistas

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by maradona
“Hoje somos todos blaugrana
Foi ontem inaugurada a Casa do Barcelona de Lisboa, a primeira em Portugal. Na televisão, assisti à declaração de um português de gema e um dos cento e tal membros fundadores, que, condensando em si o espirito do Dia Mundial do Teatro que ontem também se festejava, ouvi proferir as seguintes palavras: ”Sou sportinguista mas nutro uma especial simpatia pelo Barcelona“. Traduzindo, para que todos nos entendamos depois de caído o pano sobre a cena: ”Nutro uma especial simpatia pelo Sporting“. O sportinguista, embora dissimulado, é um génio da semântica. Façam, por obséquio, atenção:

Primeiro, a palavra ”nutro“. Um comunicado do PCUS da ex-União Soviética não pesaria melhor as palavras. Uma pessoa só é do Sporting se se ”nutrir“ constantemente. Dois dias sem ser aspergido com os ”nutrientes“ adequados e o sportinguismo mirra inexoravelmente. Um dos principais ”nutrientes“ (aqui para nós, o único) para o sportinguista típico são as derrotas e humilhações do Benfica. O último decénio e meio foi muito bom para o sportinguismo: Celta de Vigo, o Artur Jorge o King e o Hassan, o Vale Azevedo o Souness e o Michael Thomas, o Mostovoi o Deco e o Jardel.

Mesmo o Campeonato do ano passado não nos abalou por aí além: foi uma das vitórias em campeonatos mais ridículas de sempre, puxada a ferros pelo esforço e arte de um óbvio sportinguista no manejo da bola, cujo passe lhes fez ausentar do bolso uma fortuna e cujo mau fundo ainda lhes vai trazer muito dissabor, em época recheada com derrotas atrás de outras derrotas, más exibições atrás de más exibições, enfim, acho que está tudo dito de um título ganho com aquelas estatísticas. Este ano, que tem trazido ao sportinguista alguns revezes, pode hoje começar acabar em beleza, o que, não acontecendo, este blogue acaba.

Segundo, o diamantino rigor descritivo da palavra ”simpatia“. O Sporting, por mais desbocados que se oiçam por aí, não é um clube de paixões. Uma pessoa não tem ”paixão“ pelo Sporting. Isso é para clubes de merda, como o Benfica, ou cidades e regionalismos provincianos, como o Futebol Clube do Porto. A pessoa que seja do Sporting, no máximo dos máximos, ”simpatiza“. Há uma grandeza neste sentimento que não está ao alcance de mais nenhum clube. Não há mérito no filho em ser gostado pelo pai, não à mérito algum em Portugal em ser gostado pelo português. Ao invés, se existissem quase três milhões de portugueses a ”simpatizar“ com a Bosnia-Herzegovina seria porque algo de especialmente brilhante e luzidio emanasse daqueles lados. Infelizmente, em Portugal pouca gente se preocupa com os horrores sofridos ainda hoje pela comunidade servia da Bosnia-Herzegovina (os Milosevic e o Mladic são servios, não fica bem falar em favor dos servios), mas há quase três milhões de sportinguistas, o que atesta suficientemente da inigualável qualidade do Sporting como clube de futebol.

Terceiro, e por último, chamo a vossa atenção para o vocábulo ”especial“. Quando ouvirem esta palavra da boca de um sportinguista têm que utilizar as mesmas técnicas exegéticas que os especialistas utilizam com os manuscritos de Qumran. O sistema nervoso central do sportinguista processa este conceito de modo, digamos assim, especial (aqui no sentido em que um mero benfiquista lhe daria). Para o sportinguista o que é ”especial“ é precisamente o que é ”normal“ para os outros. Por exemplo: mesmo o adepto mais pessimista do Atlético Clube de Arrentela, tive a oportunidade de conferir há umas semanas atrás, vê uma vitória caseira como algo que deveria acontecer; é uma vitória, afinal, em nossa casa, conhecemos bem o campo, sabemos que no lado nascente a parede de tijolo está a 45 centímetros da linha lateral, etc, etc.

Para o sportinguista não há normalidade sob qualquer condição de pressão e temperatura, seja ela derrota, vitória ou empate. A vitória em Alvalade sobre o Penafiel, uma equipa que já está na segunda divisão, foi ”especial“ para nós, e para a fazer especial arranjámos um sem número de factos para incluir no processo mental: foi a nona vitória consecutiva para o campeonato, desde não sei quando que isso não acontecia, continuamos a depender de nós, o João Alves acertou com causalidade meteorítica numa bola que por ali passava e marcou um grande golo, o Tonel não marcou nenhum golo de calcanhar, estiveram 32.455 espectadores em Alvalade, há cem anos que não estavam trinta e dois mil quatrocentos e cinquenta e cinco espectadores em Alvalade.

O Benfica teria dito de uma vitória sobre o Penafiel na Luz apenas que ”é o Glorioso“, um vimaranese diria do seu Guimarães que o próximo jogo é não sei com quem, o Porto que não há ”relvado como o nosso“. Se o Sporting tivesse perdido ou empatado, apesar de o ano passado termos perdido em casa com o Penafiel, isso também teria sido ”especial“, e embora também já tenhamos empatado com o Penafiel não sei quando, um empate teria sido especialíssimo, porque, ”que engraçado“, as duas equipas marcaram o mesmo número de golos.

O sportinguista é como um tomagoshi ou um cão, mas ao contrário do dispositivo electrónico ou do animal, não chateia ninguém. Para sobreviver não precisa de nada, ou seja, qualquer coisa é precisamente do que ele mais precisa. Somos assim: tornamos tudo o que nos calha precisamente naquilo que estávamos mesmo a precisar para ”nutrir ainda mais simpatia pelo Sporting“.

Nesta teoria da superioridade e inviolabilidade do sportinguismo só há um excepção, estreitamente interligada com a primeira nota deste discurso: não nos calhando hoje uma derrotazinha clara do Benfica, tudo se poderá desmoronar. É o nosso calcanhar de Aquiles, a nossa Kriptonite.

Espero não ter exposto em demasia a alma daquele sportinguista que marcou presença na inauguração da Casa do Barcelona de Lisboa. Não desejava nada ser tido como indiscreto.”

E ainda sobre o efeito do acido no estomago…

“Ácido úrico
Ontem, este blogue quase que ia acabando - e estas ameaças não foram nem um nadinha exageradas. Não vou começar a escrever sobre o jogo que é para não ficar aqui até à noite, o que seria chato para vocês. O resultado daquela aparência de partida de futebol de ontem, num mundo normal, ordeiro, de paz e justiça, liderado sem contestação pelas políticas do Presidente Bush, seria Benfica 1 Barcelona 7 (e duas bolas no poste). Mas não, o Benfica é o Benfica e a noite de ontem viu condensar sobre o hectare da Luz o conjunto de fenómenos mais tipicamente benfiquistas de sempre no mais curto espaço de tempo sempre. Penso que ninguém terá a lata de sugerir que aquilo que se passou ontem foi uma coisa normal. Aconteceu Benfica: uma equipa, com tanta mija, tanta mija, tanta mija, tanta mija, tanta mija, que me termina um jogo onde lhe apareceram sete (7) jogadores adversários isolados à frente do guarda-redes e mesmo assim chega ao fim daquela coisa ainda com possibilidades de argumentar que ”teve azar“ e que o ”árbitro a prejudicou“. Eu acho que, depois daquela dança do sol às nove da noite de terça-feira 28 de Março de 2006, conseguir andar de cabeça levantada e com bitaites para proferir é uma proeza que só mesmo ao alcance de um benfiquista. E um sinal claro do estado de insolvência moral da nação.

Confesso que me deixa ainda hoje - apos 26 de vivencia salutar benfiquista - perplexo ao ver que portugal tem no seu mundo futebolistico praticamente dois tipos de adeptos: Os benfiquistas e os anti-benfiquistas. Nao quero ser hipocrita e por isso digo que apesar desta “maioria representativa” existem claro adeptos do Porto, Sporting, etc que se estao a marimbar para o Benfica. Das centenas (milhares?) de adeptos do benfica com quem ja’ privei contam-se talvez pelos dedos da minha mao direita o numero deles que era anti-sportinguista ou Portista. Duas maos de gajos que nao gostam de equipas do norte mas nada de anti-portista per se.

Ora, confesso que e’ com enorme prazer que vejo a raiva que alimenta a maior parte dos anti-sportinguistas. Esse clube regional de telheiras (revejam isto como um nome carinhoso - eu sou telheirense) tem mais anti-benfiquistas espumosos que o benfica tem socios pagantes, facto admiravel. Nao sei o que suscita tanta raiva aos sportinguistas mas o certo e’ que essa raiva tb abunda para os lados do norte, senao vejamos: Quantas vezes gritaram SLB apos cada golo nos respectivos campeonatos ganhadores dos ultimos anos do clube regional de telheiras e o porto? Incontaveis vezes, superior ao numero de golos de cada equipa somadas e ao quadrado.

Como benfiquista tenho um gosto especial ao ver um jogo do futebol do porto ou sporting - porque eu gosto mesmo no fundo e’ de ver bola - e ver que a primeira coisa que ocorre a cada adepto das claques respectivas cantarolar apos um golo da sua equipa e’ SLB. Somos de facto muito grandes… E’ sempre reconfortante ver por vezes um bom jogo de bola com o sporting e porto e lembrar-me do meu benfica nos momentos mais animados dos jogos. Diria que e’ o morango coberto de chocolate futebolistico.

Este post ja’ anda feito na minha cabeca ha’ muitos anos mas nao o queria ter escrito ate’ ter encontrado a origem da raiva - falhei. Nao vou desistir de o tentar encontrar mas queria prestar a minha homenagem ao maradona que apresenta-se como o ser mais visivelmente indignado da caminhada do benfica este ano na liga dos campeoes. Diria que nem o gatinho faria melhor…

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Oct 19 2005

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Bruno Afonso

SuperBock & Sagres - Hidden jewels @ America

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Meus amigos, descobri algo gravíssimo durante o meu glorioso dia na Casa do Benfica, presenciando em apoteose - e em profunda confraternização popularucha e vivaça - o chacínio daquela coisa a que chamam equipa, vulgo, fc porto. :-)
Ora bem meu amigos, o que se passou foi que um gajo chega à casa do Benfica e pede - como bom portuga que se preze - algo tradicional da sua pátria, digamos, uma superbock ou uma sagres. Com sorte, eles tb servem um pratinho de iscas… e depois vem o faducho claro. (que esperemos cantado por uma senhora com 60+ anos com cirrose no fígado, que n sabemos já se desafina de dor ou de nascença. Nada que um copo de tintol não alivie…)

Mas qual não é o meu espanto quando demoram um tempo extra a servir-me uma SuperBock. “Mau…” penso eu, aqui há alcool a mais no meu sangue…. Mas, era a primeira, esta demorou mesmo mto tempo a sair! Como bom cientista, instigo razão para tal e deparo-me com a calamidade pública presente em território soberano Benfi..er.. Português: Superbocks nem vê-las…

Feito tótó emigra novato-ó-chato-nabo-que-n-faz-ideias-a-qtas-anda-com-stress-pré-derby-que-n-os-ganhavamos-há-mais-de-14-anos, viro-me simpaticamente para a barwoman e pergunto-lhe, com o meu sorriso (já famoso) estúpido:

- Então mas aqui ninguém bebe SuperBock?
- Aqui é mais Heinecken ou Becks
- (Silêncio e olhar parvo…)

Isto deixou-me com azia, e não sabia já se era da SuperBock importada ou do meu choque. Importante a realçar é o facto de não ter trazido ulcermin de casa e só me restaria beber mais SuperBock até ao final do jogo, esperando matar a doença pela sua origem. (right…)

Após conversa casual com um dos chefes lá da casa, no seguimento da minha investigação em torno a possibilidade remota de ver o registo vermelho em tons de verde trauteando uma bola no conforto do meu lar, faço a pergunta óbvia:

- Mas oiça lá, aqui ninguém bebe SuperBock?
- Aqui é mais Heinecken e Becks… só há mais uma pessoa aqui que bebe SuperBock! Olha, acabou de entrar pela porta.

Era o presidente da junta pois está claro! palavra puxa palavra e descubro isto:

1) Acoreanos bebem Heinecken ou Becks.
2) O único que estava a beber super-bock era EU até chegar o presidente da junta da casa do benfica (um porreiraço!) que tb é do contnent !

Portanto, passei de um momento para o outro de apenas mais um gajo portuga em cambridge para um dos DOIS ÚNICOS GAJOS que bebem superbock na casa do Benfica. É o que dá um gajo manter-se fiel aos seus próprios princípios.

Um gajo questiona-se então, serão os açoreanos portugueses? Heinecken ainda vá - é muito boa - MAS BECKS? BECKS??

Meus amigos, apelo à indústria cervejeira portuguesa para se infiltrar nos açores e madeira. Será a única forma de exportarem a sério Sagres e SuperBock!

BOCK - A cerveja.

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