Archive for the 'Nostalgia' Category

May 13 2008

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Bruno Afonso

Buenos Aires Tango

Nao consigo deixar de ver muitos paralelos com Portugal e a cultura Lisboeta e Portuense que conheco melhor. O povo Portugues gosta da noite e gosta de se perder na noite. Gostamos de nos re-inventar, de nos escudarmos nas preciosas horas negras onde tudo e’ possivel. Se uma danca tivesse surgido a acompanhar o fado, quao diferente seria?

Ver este pequeno documentario lembra-me de sensacoes que senti quando comecei a sair ‘a noite. Quando comecei a descobrir as dimensoes da noite. O bom e o menos bom. As pessoas da noite, os taxistas que jamais deixariam de trabalhar ‘a noite. O taxista que deu um baile de poesia 4 meninos de telheiras.

A noite vive-se de historias, retalhos de historias. Por isso sinto que nao serei um estranho quando um dia for a Buenos Aires. Serei apenas um cidadao do mundo que adora a noite, tal como grande parte da cidade.

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Jul 16 2007

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RIP Romão Dias

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200707161127

O delicioso professor Romão Dias (pagina do tecnico e da wikipedia) que ensinava a distribuicao dos electroes nas orbitais usando a analogia das pessoas a entrarem nos autocarros - primeiro ocupam um de cada par de lugares vazios em cada fila, apenas depois comecam a juntar-se a quem ja’ tem lugar - faleceu ontem. E’ tambem o professor que numa entrevista que deu ‘a revista da associacao de estudantes do tecnico alertou para o facto de hoje em dia nao serem os melhores alunos que lideram estas associacoes…

Aqui fica a minha homenagem, respeito e tristeza por se ter perdido um grande educador.

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May 17 2007

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Moleskine #1

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Lembrancas de Veneza, ha’ uns anos.

veneza
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Mar 15 2007

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Diario optimista de um emigra

A Ana Rita ha’ uns tempos meteu uma entrada sobre o sofrimento de ser um emigra. Sou um optimista por natureza embora exteriorize muitas vezes algo diferente: feitios. Em todo o caso, os emigras de hoje sao do mais privilegiados de sempre. A massificacao dos media e em especial da internet (tanto da parte do cliente como de quem presta servicos) eclipsou as barreiras de uma forma inimaginavel. Posso ver diariamente (em directo ou nao) o jornal do meu pais, ouvir durante o dia inteiro radio portuguesa, etc. Coisas fundamentais e fulcrais como estar com os amigos numa base regular apenas poderao ser transpostas com viagens instantaneas - talvez um dia.

Bujardo que sou um emigra mimado. Bujardo tambem que quem nao deixa de pensar no fado da patria nunca disfrutara’ na plenitude a vivencia noutro lado. E’ preciso libertar a mente da ambivalencia para obter liberdade que conduz ‘a felicidade.

Ninguem aqui esta’ a mandar a patria ‘a merda: Apenas se luta pela entrega sincera diferencial em busca da felicidade.

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Feb 08 2007

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Bruno Afonso

Para emigra ler.

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Isto vale apena. Nao sabia que o Vasco tinha re-comecado o MI, agora na versao 2 (Obrigado Luna pela chamada de atencao). E’ com arrogancia que penso que e’ dificil perceber o post na totalidade sem ter emigrado durante pelo menos algum tempo. Nao falo de 6 meses, um anito. Nao, isso nao e’ emigrar, e’ viajar e conhecer uma cidade. Quem esta’ fora um ano nao regressa, volta da aventura. Diferente, muito. Leia-se pois entao o Vasco que na banalidade da blogosfera ainda ha’ coisas que valem apena. Apenas me vou impor a condicao de escrever o meu post diario antes de ler os do Vasco. Senao, a nocao propria de ridiculo e vergonha levaria ‘a extincao este blog. Abraco Vasco.

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Jan 25 2007

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Conversas soltas

Ela: Estás arrependido de teres ido?
Eu: Nao.

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Jan 17 2007

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R.I.P. Alice Coltrane

Pouco tenho da Alice, penso que apenas um ou dois albuns. Mas gostei e gosto. Aqui fica um rasgo (pequeno e cortado infelizmente) de como a Alice sempre foi superior ao estigma que lhe foi imposto de alguma forma por ter casado com o Trane e adoptado o seu apelido. Love, Amor, supremo e supreme, as always, sempre em grande estilo pelos Coltranes. A disfrutar especialmente para quem procura um jazz mais Zen.

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Jan 15 2007

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R.I.P. Michael Brecker

Michael Brecker RIP

Ouvir o 80/81 do Metheny com o Michael, Charlie, Jack e o Dewey foi uma experiencia fenomenal ha’ muitos e muitos anos. Nao e’ um disco facil, e’ um disco para musicos, dizendo desde ja’ que nao e’ preciso saber tocar um instrumento para se ser musico. Nao. Mas jazz e’ isso mesmo, e’ musica para musicos e no caso do 80/81, e’ para musicos que querem buscar mais e mais e mais. Foi o meu primeiro contacto com o Michael Brecker e o seu estilo e som inconfundivel.

Depois disso ouvi muitos outros albums com ele sem nunca pensar que poderia desaparecer sem que eu o pudesse ver ao vivo e a cores. Mas aconteceu. Primeiro foi isto, e depois isto:

JANUARY 13, 2007 - Following a two and a half year battle with MDS and then leukemia, Michael passed away. A memorial service is now being planned and details regarding the same will be posted here this coming Wednesday or Thursday. In lieu of flowers, we ask that donations be made to The Marrow Foundation’s TIME IS OF THE ESSENCE FUND. Many lives have been saved as a result of those who joined the National Marrow Donor Program at donor drives on behalf of Michael—and who were perfectly matching donors for others in need. There is much work to do, and we ask you to please join us in this effort. Thank you for all of your support.

E os musicos choram pois nao ha’ mais nada a fazer… A nao ser ouvir e ouvir…

Aqui a solo :-) Mostrando que coltrane o apadrinhou la’ do alto:

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Dec 23 2006

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Voltar… dancar… e gostar…

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Voltei ‘a patria. Alguns ja’ sabem, outros nao… enfim, sou muito mau no que toca a anunciar estas coisas :-)
E’ favor por a tocar enquanto leem o resto do post…

Escrevi no meu moleskine um texto (que guardo para mais tarde…) a caminho do porto, para onde segui no dia a seguir a chegar a lisboa. Os dias no Porto foram… do outro mundo… amigos antigos, conversas filosoficas com algumas pessoas, descobrir um novo bar, reencontrar antigos, voltar a comer francesinhas no porto com malta cumplice, ciencia qb… Enfim, a vida e’ mesmo feita de amizades e de pessoas. De pessoas. De muitas pessoas. Foi preciso chegar aos 26 anos para encontrar um grupo de pessoas (amigas de um grande amigo meu) completamente viciadas em musica “boua” e vontade de dancar a noite inteira… inesquecivel.

nao me quero alongar nesta linha piegas e vou apenas dizer o plano das festas da terca a sabado :) 3a - bar pitch no puerto, ao pe’ do passos manuel e maus habitos
4a - voltar ao contagiarte, ‘a noite reggae. Uma grande surpresa positiva com as renovacoes e agora com reggae ao vivo. recomendo vivamente pois esta’ claro…
5a - emigra que e’ emigra vai ver o benfica
6a - jantar no bairro alto seguido de suave e lux. saimos qdo a pista fechou… yep, it was that good :) sabado - lanche junto da minha amiga andreia e outra malta da faculdade…

E viva a noite de Portugal, os amigos, e tudo e tudo e tudo…

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Nov 27 2006

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Mario Cesariny e eu

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A Luna revolta-se no seu (actualmente) ultimo post a respeito da quantidade de supostos conhecedores de Cesariny que decidiram partilhar poemas na blogosfera. Ora, eu vou contrariar a tendencia constatada por ela e partilhar que foi preciso o senhor morrer para eu comecar a ler a Pena Capital dele, ontem, no 1369 ao pe’ de minha casa (o do lado direito). Comprei o livro ha’ varios anos e acabei por nunca o comecar a ler. Nao sei porque, nao comeco a ler poesia por ler, e’ preciso algo que nao sei bem para me dar para comecar a ler determinado autor ou livro.

Fui lamechas no entanto e escrevi assim na primeira pagina do livro:

Começo a ler Cesariny
quando ele morre.
Desculpa-me.

Revoltas ‘a parte, sempre que se fala de poesia e’ bom. Toda a publicidade e’ boa ja’ se sabe.. :-)

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Oct 09 2006

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A felicidade dos outros

celebra-se com um sorriso meu. Adoro ver os meus amigos felizes.

(lamechisse despoletada por ver a foto de um amigo com a namorada)

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Jun 20 2006

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Tenho nao sei se saudades se vontade… (este nao e’ ainda o tal)

avidamente ler as mensagens que me mandam no telele, especialmente pq ainda hoje sinto algo diferente quando o faco. Sao memorias meus senhores e senhoras… memorias de mensagens especiais enviadas por alguem especial.

Na realidade, isto e’ puramente pavloviano. Nao tenho ninguem especial neste momento nem recebo sms especiais mas, no entanto, sempre que recebo uma sms sinto ainda um sentimento especial no coracao. Nao sei o que e’ ao certo: nostalgia, esperanca, saudades? nao sei, confesso que nao sei. Confesso que nao sei se gostaria de as receber nem se… enfim. Nao sei.

Nao sei tambem porque medito nisso ao ponto de o estar a escrever aqui. Sei no entanto que o meu coracao (ou cerebro diria que sabe mais disto que eu…) esta’ vivinho da silva e tem memoria. Tem uma memoria de sensacao, uma memoria que desconfio que nunca vai perder. Tal como fotografias e escritos me evocam sensacoes que nao sei como me (re)lembro, e’ admiravel como um vibrar tocante de telemovel despoleta um sentimento diferente em mim. Como me da’ um cheirinho de sensacoes fantasticas…

estranho seres estes os humanos…

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Apr 28 2006

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A estranha leveza do viver e o jogo do tempo

E’ meia noite e meia, 45 min depois de ter saido do laboratorio. Estou no meu quarto frente ao portatil a acabar de comer salada de fruta feita pela mae do malino, meu amigo e companheiro de casa. Quando cheguei a casa ja’ tudo dormia (residentes e visitantes) e, tentando fazer o menos barulho possivel, procurei pela minha backpack para atulhar roupa para 2 dias de viagem: o retiro do meu departamento. A caminho de casa tive rasgado na cara um sorriso malando enquanto cantava o que o nano me sussurrava no ouvido. Sai do lab com forca para vir de bicicleta para casa rapidinho rapidinho, apos 13h de “trabalho”.

Pouco depois de me levitar da cama e ainda de cabelinho molhado, levo a 3a vacina (da serie de 3) para a hepatite B - logo pelo fresquinho da manha - circa ~10:15, rumando em seguida para a fonte de trabalho inesgotavel que e’ um laboratorio de investigacao cientifica. O que se calhar mais assusta a muita gente anima normalmente os malucos da ciencia: O trabalho e’ infindavel e verdadeiramente ultrapassa todos os seus interpretes. Um laboratorio e’, na realidade, um self-service inesgotavel de trabalho (cientifico e tudo o mais), aberto 24h por dia, 365 dias por ano. Ora foi num laboratorio cientifico que estive hoje durante todo o dia estupidamente contente. Brincando com o stress de fazer algo novo e semi-supervisionado por um instrutor - que gentilmente aceitou em me ensinar uma tecnica - percorro o dia contente sem saber porque. Findado um stress logo logo comeca outro e mesmo mesmo no final, sei que ainda tenho uma “coisinha” de 45min para fazer, guardadinha para o final do dia.

22h, decido que e’ altura de fazer a 45-min task, mesmo mesmo antes de rumar a casa. Vidrado no verde de uma maca do dia anterior, violo a sua entidade e a pouco e pouco o verde da’ azo a um branco em tons de castanho - que florescem a seu tempo - devido ‘as tarefas que intercalam o consumo da mesma. A determinada dentada recosto-me na cadeira e verifico que a aparelhagem - constituida por pecas velhas - ainda esta’ para montar no novo laboratorio. Num acesso inexplicavel decido unilateralmente (a parte emocional sobre a racional isto e’) que hoje iria apenas sair do lab depois de ouvir o “Problema de expressao” dos Cla (ao vivo, pois esta’ claro) em alto e bom som, comigo a juntar-me ao publico. Alcancado o sucesso de engenharia finalizo, ja’ melhor comigo mesmo, a “45 min task”. Rumo a casa e aqui estou eu, sem backpack feita e cansado, frente a este portatil.

Percebo grao a grao, cada vez melhor, o que e’ ser-se humano. Rio-me so’ de pensar que o mais fantastico de o perceber melhor e’ justamente a nocao - na qual acredito totalmente - de que sempre existirao coisas para aprender e perceber. Nao ao nivel de ciencia, mas sim ao nivel do que ha’ de verdadeiramente intrinseco em todos nos: o ser humano. Alio a minha curiosidade apaixonada pelo mundo ao inexplicavel prazer continuo de descobrir algo novo, dia apos dia.

O fascinio pela vida e’ talvez a coisa que preze mais em mim proprio, elegantemente impondo-se - doucement, sem sobrepor - ao amor por outrem, ao orgulho profissional, ao bem estar fisico e emocional. E’ este fascinio - ortogonal a tudo o resto - que me alimenta e do qual sou e serei aprendiz, ate’…

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