Boas notas e o resto
by bruno
Sempre tive um problema em aceitar sem questionar que ter boas notas na faculdade e’ que e’ importante. Ainda nao sei se sera’ porque sempre fui demasiado perguicoso (e obstinado) para as ter ou se havia uma razao de ser inconsciente para nao as ter.
Formei-me no tecnico e das maiores falhas que aponto a esta faculdade e’ o descolar entre a formacao demasiadamente academica e a realidade pos-universitaria da maioria dos seus licenciados: a industria. Not that there’s nothing wrong with that, se estivessemos apenas a formar academicos, mas nao. E contra mim falo, que sou um academico, pelo menos no momento presente.
Portugal sofre ainda nas faculdades (na maior parte delas) de pequenice. O sindroma de nichos mais elitistas – do ponto de vista academico – serem muito pequenos. Muitos professores tem medo que alunos brilhantes sejam melhores que eles e por isso adoptam estrategias para evitarem que os alunos obtenham o maximo das cadeiras, ou que seja necessario uma queda especial academica e teorica para tal. Isto e’ profundamente errado. O professor e’ que se deve adaptar aos alunos – sem ceder a nivel de exigencia, isso e’ outra conversa – e passar a mensagem da melhor forma possivel. O que vos digo nao e’ exclusivo do que aprendi no IST. Das pessoas que conheci fora do ist e que estao em universidades estrangeiras, muitos me dizem o mesmo. Que finalmente percebem o que um caramelo andou 6 meses a tentar dizer na faculdade. E abanam a cabeca em ver quao errada essa estrategia e’.
Ha’ coisas que eu hoje acho mal no tecnico. Mas admito estar errado e por isso tenho um email e caixa de comentarios. Por exemplo, porque razao e’ que o departamento de matematica e’ o responsavel por dar matematica numa escola de engenharia ? Pode parecer paradoxal mas nao e’. Eu acho profundamente errado ter matematicos puros e teoricos a ensinar matematica a alunos de engenharia. Um aluno de engenharia nao quer saber de uma serie de detalhes e aspectos deliciosos de teoremas e provas. Quer saber como sao uteis as ferramentas matematicas que esta’ a aprender e o professor deve contextualiza-las. Em 2 anos de matematica, isso deve ter acontecido 0 vezes. O mesmo se passa com tantas outras cadeiras. Nao estou a dizer que a matematica nao deva ser ensinada sem excelencia e rigor. O que esta’ em causa e’ a contextualizacao e capacidade de passar a mensagem. A nocao que sempre fiquei de matematica no ist e’ que era dado por matematicos para matematicos. O problema e’ que 95% dos alunos nao eram matematicos nem percebiam a linguagem usada para aprenderem.
Costumo dizer que Portugal e’ um pais de teoricos (no sentido lato, nao necessariamente depreciativo). E nao acredito que isso va’ mudar pois a formacao nao esta’ a mudar essa mentalidade. O sindroma de pequenice esta’ em grande parte relacionado com a falta de oportunidades fora dos circulos existentes. Nao ha’ novas faculdades a construirem-se nem departamentos a expandirem-se como ha’ noutros paises mais ricos. Para todos os efeitos, tambem nao e’ uma mentalidade empreendedora necessaria extra-academia. Isso faz com que os professores actuais detenham mais poder do que seria de esperar. Na realidade, nao controlam apenas as notas de pessoas brilhantes como controlam tambem a vida delas pois os alunos dependem em grande parte de um grupo muito restrito de pessoas. Do ponto de vista pragmatico, ou te adaptas ou estas fora do jogo. Com estas regras do jogo, ha’ pessoas que nao querem jogar. Ficam de fora. De Portugal, nao do mundo.
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Comments
O meu caro amigo tirou-me as palavras do cérebro.
Aqui tens para uma leitura relacionada com este tema: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=24591&op=all
Sobre o que dizes, concordo. Se bem que acho que existem problemas mais graves do que os que referes dos alunos excelentes ou o do ensino da matemática.
No primeiro caso, penso que a gravidade não é muito grande, esses alunos acabam por vingar depois e nunca considerei que a média na universidade fosse um elemento essecial na vida profissional. Já no caso das matemáticas, acho mesmo que há outros assuntos mais importantes, como por exemplo dentro dos próprios departamentos responsáveis pelas licenciaturas hajam docentes sem capacidade para leccionar, que não dêem continuidade à investigação de excelência e o pior, que hajam docentes em demasia e muitos com métodos e cadeiras do século passado. A actualização não passa por alguns departamentos/docentes e este “alguns” ainda é demasiado grande.
Pronto, já vou um ano atrasada para responder a este post, mas tenho que dizer que discordo da ideia-exemplo que dás de a matemática não dever ser dada por matemáticos: eu, em nome da estudante que fui, quero que sejam matemáticos a ensinar-me matemática, físicos a ensinar-me física, químicos a ensinar-me química, biólogos a ensinar-me biologia e aí por diante! Acho que só assim se tem um garante de qualidade do conteúdo.
Sim, acho que os diferentes departamentos devem comunicar, explicar uns aos outros o que é que os seus alunos precisam em termos de currículo, ganhar umas coisas e perder outras, mas ultimately, a César o que é de César.
Acho que no Técnico isto não foi para a frente. A mesma discussão está a emergir agora no MIT. A ver vamos.
beijinhos!