Aug 15 2007
Diferencas de mentalidade
Hoje acordei um pouco mais cedo do que estava ‘a espera e comecei a ler o publico (em pdf) e eis quando dou por mim a ler a ultima Publica. Na pagina 4 da Publica - 12 de agosto ‘07 - o Antonio Candido Gavaia (de Vila Real) tem um discurso altamente pessimista. Este discurso representa um dos tiques mentais portugueses que urgem em serem banidos com um Raid mental. (you can quote me on that)
O Antonio escreve a certa altura que concorda com os disparates de Jose’ Saramago - que sinceramente se devia dedicar mais aos livros que ‘a politica cliche’ - no que toca ao esbatimento da linha divisoria que nos separa de Espanha: mas atencao!, que estariamos melhor que os catalaes. Enfim… O que salta ‘a vista no texto do Antonio e’ esta nocao de desistir face a problemas continuando - nao obstante - a reclamar. O Antonio diz a certa altura:
Palavras sensatas e que nao deixarao de ser premonitórias face ‘a proverbial incapacidad do nosso pais em aproximar-se do pelotao da frente dos paises mais ricos da Uniao Europeia. Cada vez mais é o “carro vassoura”. E, nao tardara’ muito, ver-nos-emos ultrapassados pelos novos paises que ha’ relativamente pouco tempo aderiram ‘a Uniao… e’ uma questao de tempo.
Estando imerso numa mentalidade completamente diferente desde ha’ dois anos, aborrece-me de sobremaneira ler estes “ai meus deus!” que sabem a agua das pedras: Bebe-se quando e’ preciso mas na realidade ninguem gosta daquilo. A diferenca e’ que ninguem quer andar a beber agua das pedras constantemente e muito menos queremos consolar-nos por podermos beber agua, nem que seja das pedras. Detalhes, mas importantes. Ao inves de se perder tempo a nos deleitarmos com prosas bonitas sobre os problemas, que tal se escrevermos como sair deles? Nao e’ facil, pois nao: Mas e’ necessario. Necessario porque nao e’ com lamentos que Portugal vai melhorar os seus indicadores economicos e muito menos a aceitar a situacao como um facto consumado. E’ sim com uma analise critica e severa - mas intelectualmente justa e honesta - sempre com o objectivo ultimo de se alterar o rumo actual dentro do espaco de manobra actual e proximo. Ilusoes e whatifs nao interessam.
Deixemo-nos de escrever sobre o que esta’ mal sem contribuirmos de forma construtiva para o melhorar. Este tipo de escrita nao tem vantagens nem lugar na imprensa portuguesa de referencia. Alem do mais, e’ em regral geral menos bem escrita que o primeiro capitulo dos livros de auto-ajuda.
E’ pena que em Portugal quem quer andar com a carroca para a frente lute sempre com os problemas em questao e com as mentalidades de quem ja’ desistiu. Eu ja’ senti isso na pele e certamente que grande parte dos meus leitores tambem. A melhor tactica e’ na realidade nao reforcar positivamente este tipo de discurso.
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2 responses so far

Olha, tiraste-me os pensamentos da cabeça, tal e qual.
Só não concordo com a analogia da água das pedras, não só gosto do sabor, como para quem tem (teve) ulcera é um verdadeiro remédio dos deuses…
Há dias em que esse sentimento me deixa completamente desmotivado. Viver e trabalhar rodeado de pessoas que desistem e acham que é melhor andar mal do que mudar e ver se conseguimos mais e melhor do que temos deixa-me com vontade de seguir o caminho do “if you don’t care, why should I?”… Depois, é muito mais difícil “picking yourself up again” e fazer o que “has to be done”…
Para mim, quem acha que isto não tem salvação, pode já ir saltando borda fora. Só cá andam a empatar e a estorvar quem quer dar outro rumo à coisa. Xô!