Apr 18 2007
Giz e sal

Sabado passado apos o concerto tive uma das conversas mais incriveis da minha vida. Descobri um lado meu que desconhecia e partilhei essa descoberta com outra pessoa. Despedimo-nos no final ambos com um travo a sal, gizado pelo frio da noite, junto a uma igreja. Nao sei sequer onde para a caneta que escrevera’ os proximos capitulos. Nao sei sequer se a caneta existe ou se algum de nos a quer encontrar.
Sei no entanto que no dia seguinte senti uma mescla estranha de sensacoes. Senti que cresci, mas especialmente, que ajudei outra pessoa a procurar o caminho para crescer e se encontrar. Mais importante que tudo, abanei um mundo de po’ e fatalismos, derramei sinceridades crueis com ternura. Fui melhor que eu proprio. Fui sinceramente melhor que eu proprio, ate’ entao e desconfio que talvez para sempre. Abdiquei de mim em prol da pessoa por quem nutro sentimentos. E’ talvez o sentimento mais perto que um pai pode ter que tive ate’ hoje. Foi estranho. Ainda e’ estranho.
Sabado ganhei-me a mim proprio. Ganhei o respeito que apenas a propria pessoa pode gerar para si propria. Ganhei a nocao que a felicidade tambem se constroi com estilhacos de amor e amizades de colagens de vidro. Investi num altruismo, num encontro que me podera’ passar ao lado. Esse encontro, comigo ou com outrem, apenas podera’ ser celebrado com um sorriso.
Algo diferente seria um atentado ao primeiro capitulo.
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