Mar 16 2007

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Bruno Afonso

Podemos todos ser bons

Nunca reagi muito bem a elogios, especialmente - especialmente - desmedidos. Hoje percebi melhor porque. Por outro lado, sou normalmente visto como um gajo que tem mania porque nao elogia por tudo e por nada os outros. Nao que eu nao consiga elogiar ou perceber que o deva fazer. Simplesmente porque elogio apenas quando acho que faz sentido e porque gosto especialmente de o fazer em privado, num regime mais intimo e sincero, quando as pessoas menos esperam. Ha’ pessoas que gostam do estilo, outras que nao.

Uma coisa que sempre me chateou com o excesso de elogios e’ a coincidencia de normalmente originarem de pessoas que adoram as qualidades dos outros porque os veem os outros como superiores. Pouco me incomoda que existam pessoas fora de serie - na realidade o mundo precisa delas -, no entanto, estas pessoas sao fora de serie porque nao se conformaram: acreditaram em si e efectivaram o seu potencial. A sua atitude e’ fundamentalmente diferente da atitude que se ve em Portugal nos putos (e em grande parte de populacao para nosso mal) em relacao ‘a matematica por exemplo. Noutras culturas e’ normalmente aceite que fisica, matematica, musica, etc seja “normal e acessivel” a todos. Ja’ ouvi varios nomes para a cultura que se vive em portugal de forma horizontal na “escola”. Os putos vao para a escola com a ideia que a matematica e’ dificil e nao e’ para todos. Fisica e quimica e’ para os nerds. E por ai’ adiante. Pior que isso, em Portugal e’ cool ter-se mas notas, faltar ‘as aulas, etc.

No mundo cientifico, desculpamo-nos por tudo e por nada quando nao se chega onde se podia. A melhor definicao que ja’ ouvi e’ a existencia de um Culto da mediocridade. Quando primeiro ouvi a expressao, fiquei chocado e atonito. Pensei na altura e tenho ruminado sobre a coisa ao longo de anos. Percebo agora melhor que e’ algo presente horizontalmente na sociedade Portuguesa. Desde o papao da matematica dos putos ‘a politica, passando pela comunidade cientifica (que muitos querem acreditar ser onde estao pessoas mto brilhantes).

Carol Dweck toca neste artigo num ponto fundamental: a nossa evolucao como pessoas a um nivel mais pessoal ou profissional depende fundamental de nos proprios. Na realidade, nao tanto se calhar do nosso trabalho per se, quantificavel em ultima analise pelo numero de calorias gastas. Depende sim do estado de espirito com que estamos na vida e do que queremos e pretendemos desta.

E’ facil? Pessoalmente nao acho que seja. Mas por isso e’ que e’ importante lembrar-nos do que o Rocky nos disse. E’ preciso ter coragem para nos enfrentarmos a nos proprios e nos melhorarmos. Isso requer recriarmo-nos com auto-motivacao e pedacos de demencia temporaria frequentemente.

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2 responses so far

2 Responses to “Podemos todos ser bons”

  1. Lunaon 17 Mar 2007 at 0:21 1

    Eu, basta-me beber uns copos para passar a amar toda a gente e elogiar pessoas até à exaustão, mesmo quando tal é descabido. Sóbria, I know what you mean. ;)

  2. Bruno Afonsoon 17 Mar 2007 at 12:19 2

    Isto lembra-me as palavras sabias de um sueco: “When you drink, there are no rules”. ahah :-)

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