Sara Tavares – Balance ao vivo

by bruno

Sara Tavares ao vivo

Foi com enorme satisfacao que comecei a ouvir o album da Sara Tavares no meu sistema stereo em lisboa apos o ter comprado o ano passado. O Balance passou-me completamente ao lado quando saiu e foi com surpresa que ouvi uma musica do album num anuncio do BCP ou algo assim por terras do belo e bom peixe a saber a sal marinho.

A Sara e’ uma pessoa fora de serie. Isso ficou logo patente quando ganhou o concurso na SIC com o seu sorriso maior que a vida. Lembro que do mesmo concurso saiu tambem a Jacinta (que tive o prazer de ouvir no Algarve ha’ uns anos), facto que eu desconhecia ate’ ha’ pouco tempo. Adiante.

O concurso apenas mostrou o lado cantor dos envolvidos, restando saber o mais importante: seriam ou conseguiriam transformar-se em grandes musicos? Se pensarmos nas boas vozes que existem por todo esse mundo, chegamos rapidamente ‘a conclusao que ha’ algo que as faz vingar, crescer e deixar a sua marca. E esse algo nao esta’ directamente correlacionado com a qualidade per se da voz em si. A evidencia mostra-nos que nao. Claro que ha’ boas vozes que nao passam disso, mas, sejamos serios por umas linhas, ninguem aqui esta’ minimamente preocupado com essas vozes. Eu pelo menos nao estou. Esse algo esta’ sim relacionado com o ser-se um grande musico do qual a voz e’ um instrumento, um braco, uma extensao (nos expoentes maximos lembro-me agora de Maria Joao por exemplo) dessa forca criativa e energetica. Nunca me esqueci da Sara mas sempre tive uma atitude quasi-vegetativa em relacao ‘a sua carreira: sempre esperancoso que conseguisse crescer como musica mas nunca perdendo o meu sono por isso. O Si-Re-Mi em viola classica que abre o album e’ libertador e anuncia o que se segue: muitas e boas faixas com swing. Muito swing.

A espera valeu apena, pensei eu apos ouvir o album. Na realidade, a espera era inevitavel. Estamos a falar de uma pessoa a quem Portugal de alguma forma se afeicoou e a colocou na ribalta. E duas hipoteses (hipoteticamente) avanco que se colocaram: ser mais uma voz de um grupo profissional de musicos ou ambicionar ser um musico que deixe a sua marca. Um musico na verdadeira accepcao da palavra. O problema e’ que a segunda via nao e’ a via facil. Concedo que se calhar foi mais uma via do meio (a terceira via diria um grego…) a puxar para a segunda que realmente aconteceu (O balance nao e’ o primeiro album). Mas foi mais corajoso que muitos esperariam desconfio. No berklee performance center ha’ uns meses apresentou-se em palco uma artista claramente em inicio de carreira, nao totalmente madura, mas deliciosamente cheia de prazer no que faz e no que conseguiu alcancar ate’ hoje: Uma sonoridade unica, pessoal e contagiosa. Rodeada de nao apenas musicos mas sim grandes amigos, proporcionou realmente prazer musical mas ainda mais que isso, partilhou um prazer absoluto no prazer que induz em quem a ouve.

No inicio do concerto receei pela qualidade sonora. Baixo a mais… Felizmente tudo se resolveu e acabou por ser um concerto intimista numa grande sala. E mais nao me apetece escrever. E’ ver quando a oportunidade surgir, ouvir e dar a ouvir.

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