Rocky knows, so does Gary Peacock

by bruno

Garypeacockbass

It will beat you to your knees and keep you there permanently if you let it. You, me or nobody is going to hit as hard as life. But it ain’t about how hard you hit, it is about how hard you can get hit and keep moving forward, how much can you take and keep moving forward. That’s how winning is done!

Assim proferiu o grande Rocky Balboa em grande estilo – com uma plastica e tudo – que no caso do Rock afecta apenas em 10% a sua performance no filme. Noutro outro qualquer hipotetico e imaginario caso seriam 73,2 a 93,7%. Estou a ser bastante serio nas casas decimais.

Mas o que tem isto a ver com o grandioso Gary Peacock? Pouco, mas tinha que meter esta frase do Rock no blog de alguma forma. Uma especie de promessa a mim mesmo. O nome (e artista) do contrabaixista Gary Peacock para mim sempre esteve associado a Keith Jarret, em particular ao seu trio infernal de standards (apreciar este my funny valentine em versao KJ Trio). Ha’ umas semanas, apareceu-me no email a meio da tarde um email a informar-me que o Gary ia tocar em trio em Cambridge, harvard square, nesse mesmo dia. Seria a rendicao do album Modinha, num trio liderado(?) por Marc Copland. Este concerto era inescapavel por varias razoes, nenhuma das quais mais importante que realmente apetecer-me ir ao jazz nesse dia. Mas, racionalizando – algo que nunca se deve fazer nestes casos -, era uma oportunidade de ver um dos melhores baixistas do mundo, um baterista que eu ja’ ansiava ver ao ao vivo ha’ muito muito tempo (Bill Stewart e’ o baterista do ja’ saudoso Pat Metheny Trio – em particular, apreciar isto (RIP Michael) mas no disco do trio ao vivo (James, Live) ) e conhecer Marc Copland.

O Regatta Bar e’ daqueles bares orientados para a malta mais finoria, onde ouvir jazz pode estar associado a um belo jantar ou a uma operacao de charme (futil…) a uma menina. Futil porque jazz e’ para musicos, e nao se angariam musicos do nada numa noite, demora anos. Adiante. Ambiente algo selecto com muita gente a vestir-se para a ocasiao com um grad student directamente saido do lab depois de 10h no mesmo. Soube-me melhor que o jantar que nao tive, e tive das melhores surpresas que ja’ tive ate’ hoje: o Gary e’ de facto impressionante. Se o trio sai na label como sendo do Marc, em palco, o que e’ e’ Gary a liderar naturalmente.. E se lidera. Percebi naquela noite que o som do Keith Jarret Trio e’ de facto o som de 3 grandes artistas (o outro e’ o Jack Dejohnette – bateria) e nao apenas do Keith e do Jack com algum desprimor para o Gary. Esta’ la’ de forma inconfundivel e envergonho-me de nao lhe ter dado a devida relevancia todos estes anos. Never again.

Never again.

ps: Obviamente que enterrei quando perguntei ao Bill Stewart se nao ia tocar de novo com o Metheny em trio nos proximos tempos… quando me respondeu que talvez apenas em 2010 ou 20, ficou patente que se devem ter desentendido. :-) Felizmente que o Larry (baixista) nem por isso…