A estranha leveza do viver e o jogo do tempo

by bruno

E’ meia noite e meia, 45 min depois de ter saido do laboratorio. Estou no meu quarto frente ao portatil a acabar de comer salada de fruta feita pela mae do malino, meu amigo e companheiro de casa. Quando cheguei a casa ja’ tudo dormia (residentes e visitantes) e, tentando fazer o menos barulho possivel, procurei pela minha backpack para atulhar roupa para 2 dias de viagem: o retiro do meu departamento. A caminho de casa tive rasgado na cara um sorriso malando enquanto cantava o que o nano me sussurrava no ouvido. Sai do lab com forca para vir de bicicleta para casa rapidinho rapidinho, apos 13h de “trabalho”.

Pouco depois de me levitar da cama e ainda de cabelinho molhado, levo a 3a vacina (da serie de 3) para a hepatite B – logo pelo fresquinho da manha – circa ~10:15, rumando em seguida para a fonte de trabalho inesgotavel que e’ um laboratorio de investigacao cientifica. O que se calhar mais assusta a muita gente anima normalmente os malucos da ciencia: O trabalho e’ infindavel e verdadeiramente ultrapassa todos os seus interpretes. Um laboratorio e’, na realidade, um self-service inesgotavel de trabalho (cientifico e tudo o mais), aberto 24h por dia, 365 dias por ano. Ora foi num laboratorio cientifico que estive hoje durante todo o dia estupidamente contente. Brincando com o stress de fazer algo novo e semi-supervisionado por um instrutor – que gentilmente aceitou em me ensinar uma tecnica – percorro o dia contente sem saber porque. Findado um stress logo logo comeca outro e mesmo mesmo no final, sei que ainda tenho uma “coisinha” de 45min para fazer, guardadinha para o final do dia.

22h, decido que e’ altura de fazer a 45-min task, mesmo mesmo antes de rumar a casa. Vidrado no verde de uma maca do dia anterior, violo a sua entidade e a pouco e pouco o verde da’ azo a um branco em tons de castanho – que florescem a seu tempo – devido ‘as tarefas que intercalam o consumo da mesma. A determinada dentada recosto-me na cadeira e verifico que a aparelhagem – constituida por pecas velhas – ainda esta’ para montar no novo laboratorio. Num acesso inexplicavel decido unilateralmente (a parte emocional sobre a racional isto e’) que hoje iria apenas sair do lab depois de ouvir o “Problema de expressao” dos Cla (ao vivo, pois esta’ claro) em alto e bom som, comigo a juntar-me ao publico. Alcancado o sucesso de engenharia finalizo, ja’ melhor comigo mesmo, a “45 min task”. Rumo a casa e aqui estou eu, sem backpack feita e cansado, frente a este portatil.

Percebo grao a grao, cada vez melhor, o que e’ ser-se humano. Rio-me so’ de pensar que o mais fantastico de o perceber melhor e’ justamente a nocao – na qual acredito totalmente – de que sempre existirao coisas para aprender e perceber. Nao ao nivel de ciencia, mas sim ao nivel do que ha’ de verdadeiramente intrinseco em todos nos: o ser humano. Alio a minha curiosidade apaixonada pelo mundo ao inexplicavel prazer continuo de descobrir algo novo, dia apos dia.

O fascinio pela vida e’ talvez a coisa que preze mais em mim proprio, elegantemente impondo-se – doucement, sem sobrepor – ao amor por outrem, ao orgulho profissional, ao bem estar fisico e emocional. E’ este fascinio – ortogonal a tudo o resto – que me alimenta e do qual sou e serei aprendiz, ate’…

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