emigra-o-depressivo

by bruno

Emigrante Em conversa amena no messenger com um amigo meu discutia as novas amizades que a pouco e pouco ia fazendo neste continente quando me ocorreu nessa altura uma conversa que tive com um porreiraco que mora (se e’ que ja’ nao mora em terras lusas por estas alturas) em Cambridge, UK. Ao tchic-tac dos talheres de um belo jantar caracteristicamente Ingles – feito por um portugues de gema para mim e para a sua mais que tudo note-se – discutiu-se ciencia, pessoas, musica e tudo o mais que se discute quando se atravessa o periodo inicial de conhecer melhor alguem. Nao posso deixar de referir que o Ze’ nao tinha obrigacao nenhuma de me receber bem nem qualquer tsk tsk de outra especie, foi simplesmente espetacular e teve prazer em receber-me na sua casa. Findo o jantar levou-me a casa no seu bolide (com volante ‘a direita relembro) e no meio da conversa raspou-se pelo topico de portugueses fora de Portugal disse-me algo que nunca me esqueci e na altura achei um pouco estranho. Nada mais nada menos que e’ o facto de algumas pessoas terem habito de fazerem amizades com outros portugueses apenas porque sao portugueses. Na altura, essas amizades fariam sentido e eu nao percebia porque nao apostar nelas.

Num flashback en passant a meio da conversa no messenger, autografei o modus operandi de “emigra-o-depressivo” exactamente para indicar o tipico emigrante que assim age: amizade pelo facto da nacionalidade. Tal como o urbano-depressivo (trademark by Camocho) e’ um ser que pouco mais conhece que a cidade e nao sabe apreciar o que existe fora do urbanismo hard-core, o emigra-o-depressivo e’ aquele ser que no fundo nutre-se da amizade por afinidade, profundamente depressivo na minha opiniao.

E isto tudo porque? Simplesmente porque cheguei ‘a conclusao que pessoalmente ja’ nao tenho paciencia para falar com alguem pelo simples facto de falar a minha lingua. Sejamos objectivos: Nao existe uma maior probabilidade de se encontrar alguem interessante apenas porque fala a nossa lingua. Apenas nos iludimos na facilidade de identificacao cultural e comunicacional.

Claro que e’ optimo estar com Portugueses e adorar saborear o nosso vocabulario. No entanto, sera’ o suficiente para suster uma amizade sincera? I beg to differ.

Related posts:

  1. consciência
  2. SuperBock & Sagres – Hidden jewels @ America